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Aquecimento solar avança no interior

Em obras para a Copa do Mundo de 2014, o estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, prepara-se para ganhar uma arquitetura capaz de receber 69 mil torcedores nas condições exigidas pela Fifa. A nova iluminação, planejada para jamais falhar, tem apelo ambiental.

Os holofotes, assim como as lâmpadas e tomadas das dependências do estádio, serão acionados por rede elétrica abastecida com energia solar. Com financiamento de € 10 milhões do banco alemão KFW, a Cemig já concluiu um anteprojeto, apresentado ao governo estadual, para instalar painéis solares com capacidade de 1 MW. "Além de suprir o estádio, a energia vai gerar excedentes para venda no mercado livre", revela o engenheiro Alexandre Heringer, coordenador do projeto na Cemig.

"Com a grande exposição por conta da Copa, a estratégia é usar o exemplo do Mineirão para despertar no país a cultura da energia solar e, ao longo do tempo, desenvolver o mercado e atrair fabricantes", explica Heringer. Além do potencial em energia solar, o Brasil tem uma das maiores jazidas de quartzo do mundo, rica em silício - principal matéria-prima das placas solares. "Como não temos tecnologia e fabricantes, compramos o equipamento a preços mil vezes mais altos em relação ao insumo que exportamos."

Em outro projeto, a empresa iniciou entendimentos com parceiros para instalar uma usina termelétrica movida a energia solar, com geradores cilíndricos-parabólicos, no município mineiro de Januária, onde é forte a incidência do sol. A tecnologia permite atingir altas temperaturas, superiores às dos painéis solares convencionais. "Com capacidade de gerar 2 MW, será possível abastecer 1,6 mil residências", estima Heringer.

No Brasil, a maior escala da energia solar está no aquecimento de água. É um mercado que cresce em torno de 30% ao ano no país, o 10º no ranking mundial do setor. De acordo com a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) a cadeia produtiva reúne cerca de 200 empresas que comercializam os equipamentos. O custo alto, dez vezes superior ao do chuveiro elétrico, é compensado pela economia na conta de energia.

Com recursos de R$ 30 milhões, referentes à regulamentação da Aneel que determina às concessionárias investir 0,5% de sua receita líquida em projetos de eficiência energética, chuveiros elétricos obsoletos começaram a ser substituídos por sistemas de aquecimento em 15 mil residências mineiras. Com investimento de R$ 394 mil, conjuntos de casas populares de Montes Claros (MG) receberam em maio 255 aparelhos de aquecimento solar, beneficiando famílias com renda mensal entre um e três salários mínimos.

Além de promover o uso de fontes limpas, o projeto tem como finalidade reduzir o consumo no horário de ponta (entre 17 e 22 horas), o que significa economia na conta de energia de até R$ 70 mensais para o consumo médio de 150 KWh/mês.

Painéis solares também são utilizados em programas de inclusão social para a conexão de lâmpadas e eletrodomésticos em residências rurais distantes da rede elétrica. A energia do sol permitiu, entre outras aplicações, que o Programa Nacional de Universalização do Acesso ao Uso da Energia Elétrica atingisse a meta de abastecer 10 milhões de habitantes do meio rural, sendo vetor de desenvolvimento econômico. Previsto para ser encerrado no fim deste ano, o programa deverá beneficiar 2,2 milhões de moradores na Bahia. Além de instalar 43 mil km de rede, a Coelba, concessionária do Grupo Neoenergia, instalou placas solares em casas mais isoladas.

No município de Jeremoabo, os painéis chamam atenção na paisagem de cactos da caatinga em meio a uma das regiões mais áridas do país. A tecnologia permite que moradores assistam à TV com antena parabólica. Mas o consumo é limitado. Na casa de Ildebrando de Santana, pequeno produtor rural, a velha geladeira funciona com botijão de gás.

Fonte: Valor online
25/08/2010
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